sexta-feira, 17 de abril de 2026

Amor, fama e solidão: a história de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy


Há histórias de amor que nos ficam na pele… e outras que ficam mesmo no coração. Foi exatamente isso que senti ao ver a série sobre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy. Já sabemos como termina, e mesmo assim não conseguimos desviar o olhar. Talvez porque, no meio de toda a pressão, dos olhares constantes e das expectativas, era evidente que havia ali amor — um amor intenso, verdadeiro, daqueles que não se fingem. Mas também fica claro algo que nem sempre gostamos de admitir: às vezes, o amor não chega.

Carolyn Bessette-Kennedy era muito mais do que “a mulher de”. Era independente, tinha uma carreira, uma identidade própria… e, ainda assim, acabou por abdicar de tudo por essa relação. Não por obrigação, mas por escolha. E é aí que a história ganha outra profundidade, porque escolher amar também pode significar perder partes de nós. A série mostra isso sem romantizar: a solidão, o peso da exposição constante, a sensação de viver numa espécie de montra permanente.

O assédio dos media é quase difícil de compreender à distância. Não havia pausas, nem privacidade, nem espaço para simplesmente ser. Tudo era observado, registado, comentado. E isso, inevitavelmente, desgasta — qualquer pessoa, qualquer relação. Sobretudo alguém como ela, que nunca pareceu querer esse tipo de vida.

No fim, fica uma história bonita, mas também profundamente triste. Porque mostra que é possível amar muito… e, mesmo assim, não ser suficiente para sustentar tudo o resto. O desfecho trágico só torna tudo ainda mais pesado, como se aquela história tivesse sido interrompida antes do tempo, deixando no ar tudo o que poderia ter sido.

Fiquei a pensar em como, tantas vezes, olhamos para relações “perfeitas” sem imaginar o que existe por trás. E em como amar, por vezes, também é abdicar — e nem sempre sabemos até onde devemos ir.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ser mãe de uma adolescente: ninguém nos avisou que ia ser assim

 



Há uma fase da maternidade sobre a qual ninguém fala o suficiente. Falam do cansaço dos primeiros anos, das noites sem dormir, das fraldas e das febres. Falam da escola primária, dos dentes de leite que caem, dos primeiros passos e das primeiras palavras. Mas da adolescência? Da adolescência falam pouco. E quando falam, falam mal — como se fosse apenas uma fase a sobreviver.

Não é. É muito mais do que isso. E é, provavelmente, a fase mais exigente de ser mãe.

Ser mãe de uma adolescente é viver numa montanha-russa de emoções — e o pior é que às vezes nem sabes em que parte da volta estás.

É aprender a dar espaço quando o instinto grita para apertar. É perceber, de repente, que já não controlas nada — apenas observas. E observar com o coração na boca é muito diferente de observar descansada. É o equilíbrio impossível entre estar atenta e não ser intrusiva, entre proteger e deixar cair, entre confiar e atribuir as responsabilidades que são dela.

É assistir, às vezes com uma angústia surda, ao desaparecimento da tua criança. Aquela que te chamava a toda a hora, que queria dormir no teu quarto, que achava que tu eras o centro do mundo — essa foi-se transformando. E no lugar dela está a crescer um quase-adulto que mal te olha nos olhos ao jantar. Sabes que é normal. Sabes que é suposto ser assim. E mesmo assim dói.

Há também o quarto. Ah, o quarto. O que era um espaço da casa tornou-se numa caverna. O bunker dela. A porta está sempre fechada, a música é sempre alta de mais ou baixa de mais, e quando a abres — nos raros momentos em que és convidada — encontras loiça. Loiça, sim. E objetos não identificados. E as tuas coisas. As tuas meias, o teu perfume, o teu carregador, aquele casaco que juraste ter perdido. Está tudo ali, no bunker. Tudo menos ela — que está no telemóvel, no universo paralelo onde a tua voz não chega.

Ninguém nos diz que o mais difícil não é lidar com as emoções dela. É lidar com as nossas.

É perceber que já não somos o centro do universo dela. Que já não somos as preferidas. Que o grupo de amigas sabe mais sobre o que ela sente do que nós, que a trouxemos ao mundo. E racionalmente percebemos: é o desenvolvimento normal, é saudável, é suposto. Mas nenhum livro de psicologia infantil nos ensina a sentir isso de forma suave. Custa. Custa mesmo.

E no meio de tudo isto — dos portões fechados, das respostas curtas, das emoções em montanha-russa que às vezes nem ela própria consegue explicar — há momentos que nos pregam ao chão de uma forma diferente. Momentos em que olhamos para ela e vemos a pessoa em que se está a tornar. A forma como defende o que acredita. A sensibilidade que tem para os outros. Os valores que foram crescendo em silêncio, sem que tenhamos dado conta.

E percebemos que a educação está a dar frutos — mesmo quando parece que nada chegou lá. Mesmo quando parece que estamos a falar para as paredes. Está lá. Ela está lá.

Ser mãe de uma adolescente é isto: viver com o coração fora do peito — mas agora percebo mesmo o que essa expressão significa. Não é metáfora. É literal. É ter a parte mais vulnerável de nós a circular pelo mundo com a mochila às costas e os auriculares postos, a fingir que não nos vê quando nos passa ao lado na rua com as amigas.

E mesmo assim, amar com tudo.

Mesmo assim, achar que é o trabalho mais importante que alguma vez fizemos.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Curtas Sav

 


Vamos lá ver se nos entendemos, porque eu acho que as instrutoras de Pilates acham que eu sou um polvo com um processador de última geração incorporado.

Eu até gosto de Pilates, juro que gosto. A ideia de ficar elegante, com a postura de uma garça e a flexibilidade de uma adolescente seduz-me. Mas, na prática? Na prática, o meu cérebro entra em curto-circuito logo aos cinco minutos de aula.

O cenário é sempre o mesmo: "Mete o abdominal para dentro!" (Certo, estou a tentar encontrar onde ele se escondeu). "Inspira e expira!" (Ok, ritmo básico de sobrevivência, eu consigo). "Agora levanta a mão para o ar, o pé para trás, o joelho flectido e... não esqueça a bacia neutra!"

Parem tudo! TUDO AO MESMO TEMPO?

Meus amores, eu sou uma pessoa idosa (ou, como gosto de dizer, uma jovem com muita quilometragem). Eu já me perdi no "inspira, expira". Quando chega a parte de coordenar o braço esquerdo com o pé direito enquanto tento não deixar o umbigo fugir para as costas, a minha coordenação motora faz as malas e pede a reforma antecipada.

Eu percebo a importância do movimento, mas será que podíamos fazer isto em slow motion? Um comando de cada vez, por favor. Primeiro o pé, depois o braço, e se sobrar fôlego, a gente tenta respirar com elegância.

O Pilates é fantástico, mas para mim, o verdadeiro exercício é tentar não cair da passadeira enquanto tento processar tanta informação. Menos pressa, mais paciência e, de preferência, um comando de cada vez. Afinal, a elegância não se constrói num segundo, e os meus joelhos têm o seu próprio fuso horário!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Segunda-feira. Páscoa. Sobrevivência.

 



Não sei como é que isto acontece todos os anos.

Sabe-se perfeitamente que o fim de semana da Páscoa é longo. Sabe-se que há família, há mesa posta, há folar, há chocolate — muito chocolate. Sabe-se que segunda-feira vem a seguir. É inevitável, está no calendário, não é novidade para ninguém.

E mesmo assim, aqui estou eu.

Com os olhos a meio pau, a tentar convencer o meu corpo de que sim, é preciso funcionar, e não, ficar na cama não é opção (já verifiquei). A semana começou e não perguntou se eu estava pronta.

Os dias santos foram passados entre conversas que se prolongaram mais do que devia, sobremesas que apareceram quando já se pensava que não havia mais espaço — e havia sempre — e aquela sensação boa de estar em modo completamente desligado. Sem horários, sem urgências, sem segunda-feira à vista.

Pois bem. A vista chegou.

Tenho a teoria de que o açúcar da Páscoa é traiçoeiro. Não é como o açúcar normal que dá energia e passa. Este é específico — entra pela Sexta-feira Santa, instala-se, faz-te sentir ótima durante o fim de semana todo e depois, segunda de manhã, apresenta a conta. Com juros.

A conta hoje é esta: corpo pesado, cabeça lenta, e uma vontade genuína de que alguém inventasse uma segunda-feira com modo de arranque gradual. Tipo, até ao meio-dia conta como aquecimento. Só a partir daí é que começa a valer a sério.

Ainda não inventaram. Continuo à espera.

Entretanto, cá vou eu — café na mão, sorriso de circunstância, e a certeza de que a Páscoa valeu cada segundo. Mesmo esta segunda-feira a fazer parte do pacote. 🐣

E vocês? Também estão em modo de sobrevivência, ou sou só eu? 😂