Sobre obras, trapos velhos, balde e esfregão — e a descoberta inesperada de um talento oculto.
Há dias que começam iguais a todos os outros e acabam com uma revelação. O meu foi assim — entre poeira, detergente e o silêncio das 23 horas.
Quem já passou por obras em casa sabe bem de que estou a falar. Aquela mistura singular de entusiasmo e caos, coexistindo com o realismo brutal de viver num estaleiro. É uma aventura que ninguém deseja repetir — e ninguém me venha com a conversa que é satisfatório… é horrível.
As obras lá em casa têm sido uma maratona. Cada fase com uma nova surpresa, e os seus atrasos. Mas hoje entregaram a cozinha. Está muito bonito, sim senhora mas acho que só nós notamos as mudanças 😅
Mas a cozinha estava a fazer-nos muita mas muita falta — é onde fazemos as refeições, aliás tudo se passa na cozinha, certo? Ver aquele espaço finalmente tomar forma foi uma daquelas alegrias simples que a vida nos oferece de vez em quando.
Claro que a entrega da cozinha nova não vem sozinha. Vem com pó de obra, marcas de instalação, resíduos de silicone, impressões digitais no inox e aquela camada fina de sujidade que só existe nos finais de obra. A cozinha estava lá … à minha espera...
Se nada correr bem na minha vida, posso sempre ir fazer limpezas. Limpo como ninguém.
Cheguei do trabalho cansada, como é o normal desta moça do proletariado. A última coisa que o corpo pedia era esforço. Mas eu já tinha decidido: aquela cozinha não passava mais uma noite assim. Fui ao armário, tirei os trapos mais velhos que encontrei — aqueles que só existem para situações destas — e atirei-me à luta.
A limpeza de uma cozinha nova após obra é uma arte. É preciso saber por onde começar, e muita vontade para a fazer sem desesperar. É quase meditativo.
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23h00 — missão cumprida Balde esvaziado. Panos dobrados. Cozinha a brilhar. Satisfação total.
Quando olhei para o relógio e vi que eram 23 horas, não senti cansaço. Mentira, senti muito cansaço 😅. Aquela cozinha estava imaculada — e tinha sido eu a fazê-lo, depois de um dia inteiro de trabalho, com força de vontade como único combustível.
E foi aí que me ocorreu o pensamento que partilhei com quem me segue nas redes: se um dia a vida correr menos bem, posso sempre reconverter a carreira. Limpezas. É definitivamente uma área onde tenho talento natural — ou pelo menos, muita dedicação. Definitivamente gosto mais de limpar que de cozinhar, sem dúvida.
A verdade é que há algo profundamente satisfatório em transformar um espaço com as próprias mãos. Não é glamouroso, não é instagramável o processo — mas o resultado é meu 🧹✨. É o meu esforço. Aliás, se eu tirasse uma fotografia da minha figurinha, ainda me internavam por aparência insana.
As obras continuam... e eu continuarei a desesperar mas pelo menos tenho cozinha 💁🏼♀️



















