A vida de cuidador de idosos, é o trabalho mais desgastante
e não reconhecido de sempre. A vida divide-se entre uma vida avassaladora que
nos engole, que corre à velocidade do vento de uma tempestade. A nossa vida não
pára, os filhos continuam a crescer, as contas continuam a cair e esperam que o
rendimento laboral seja competitivo, e do outro lado temos um ou dois idosos
para cuidar a tempo inteiro. Como se consegue fazer “pause” na vida e virar
cuidador? Num país em que os apoios à velhice, encontram-se no papel porque no
terreno simplesmente, não há respostas. Sem vagas, sem disponibilidade. É a
resposta mais ouvida quando pedimos ajuda.
E entre equilibrar a vida, dividimos as tarefas por quem se
disponibiliza de cuidar de quem cuidou de nós. Mas nunca é equilibrado… a
divisão nunca é justa e equilibrada.
E aqui entra a responsabilidade moral de cada um, que nunca
é igual para todos, mesmo que não tivesse havido descuido de tratamento quando
crescemos. E exatamente porque a vida não é preto e branco, e porque acredito
mesmo que a vida é um dar e receber, não podemos esperar receber quando também
não demos nada de volta. E dar, claramente não me refiro a nada material, mas
sim, à atenção, ao carinho e à presença. Porque laços de sangue não chegam: o
que faz uma família é o que nela se oferece todos os dias, e só pode esperar
receber quem também se dá. Nestas questões existem muitas variantes a ser consideradas,
mas quando vemos um aproveitamento de uns em detrimento dos outros, é imoral. E
na minha geração ainda é muito visível essa alegada obrigação moral das filhas
e a total ausência dos filhos. Uma completa desresponsabilização baseada
somente numa simples variável, ser Homem. Como se aqueles pais, algum dia
baseassem os seus cuidados aos filhos mediante o sexo feminino ou masculino.
Mas até aqui, consigo pensar que a educação dada aos filhos, também é muitas
vezes determinante por este comportamento de total desresponsabilização do sexo
masculino.
E quando se parte da mesma base? E a retribuição é singular?
Não compreendo como se consegue viver assim, absorvido somente sob o seu
próprio umbigo. Fazer de conta que tudo é como quando tudo estava bem, porque
de facto, quando tudo está bem, todos aparecem com um sorriso na cara. É uma
questão de consciência de cada um, eu sei! Mas neste comboio, de livre
arbítrio, uns são filhos e outros enteados.
Este país não é para velhos, e também não é para novos. É um país que não investe nem na geração futura, nem ampara a geração que trabalhou uma vida inteira. Este país é para os espertos, para quem sabe viver a sua vida, mesmo que seja à custa da exploração do outro.







