Há uma fase da maternidade sobre a qual ninguém fala o suficiente. Fala-se do cansaço dos primeiros anos, das noites sem dormir, das fraldas e das febres. Fala-se da escola primária, dos dentes de leite que caem, dos primeiros passos e das primeiras palavras. Mas da adolescência? Da adolescência fala-se pouco. E quando se fala, fala-se da parte má, como se fosse apenas uma fase a sobreviver. Não é. É muito mais do que isso. E é, provavelmente, a fase mais exigente de ser mãe.
É aprender a dar espaço quando só nos apetece apertar no nosso colo. É perceber, de repente, que já não controlas nada, já só observamos. E observar com o coração na boca é muito diferente de observar descansada. É o equilíbrio impossível entre estar atenta e não ser intrusiva, entre proteger e deixar cair, entre confiar e atribuir as responsabilidades que são dela.
É assistir, às vezes com uma angústia cá dentro, ao “desaparecimento” da tua criança. Aquela que te estava sempre a chamar, que queria dormir no teu quarto, que achava que tu eras o centro do mundo. E no lugar dela está a crescer um quase-adulto que por vezes nem sabes se está bem ou está mal. Sabes que é normal. Sabes que é suposto ser assim. E mesmo assim é tudo tão estranho.
Há também o quarto. O que era um espaço da casa tornou-se numa caverna. O bunker dela. A porta está sempre fechada, a música é sempre alta de mais ou baixa de mais, e quando a abrimos, nos raros momentos em que me apetece ver um cenário apocalíptico, encontro loiça. E objetos não identificados. E as minhas coisas… as minhas meias, o meu perfume, o meu carregador, enfim... está tudo ali, no bunker.
É tentar assimilar que já não sou o centro do universo dela. Que já não sou a preferida. Que o grupo de amigas sabe mais sobre o que ela sente do que nós, que a trouxemos ao mundo. E racionalmente percebo: é o desenvolvimento normal, é saudável. Mas nenhum livro de psicologia infantil me ensinou a sentir isto de forma suave. Custa…
E no meio de tudo isto desta montanha-russa que às vezes nem ela própria consegue explicar, há momentos que olhamos e sentimos um orgulho enorme. Momentos em que a contemplamos e vemos a pessoa em que se está a tornar. A forma como defende o que acredita. A sensibilidade que tem para os outros. Os valores que foram crescendo em silêncio, sem que nos tenhamos apercebido.
E percebemos que a educação está a dar frutos, mesmo quando parece que não ouviu nada. E saber que é a mim que ela recorre quando tudo está uma confusão, também me acalma o coração. Mas é uma dificuldade fazer o papel de espectadora, adulta da sala, quando nos apetece partir para ignorância e esmurrar os dentes daquele que lhe partiu o coração. Respirar e saber que faz parte do crescimento esta dores de amor. Eu era aquela a quem partiam o coração, e agora sou a mãe que sofre em silêncio com o sofrimento dela.
Ser mãe de uma adolescente é isto: viver com o coração fora do peito — mas agora percebo mesmo o que essa expressão significa. Não é metáfora, é literal. É ter a parte mais vulnerável de nós a circular pelo mundo com a mochila às costas e os auriculares postos, a fingir que não nos vê quando nos passa ao lado na rua com as amigas. E mesmo assim, amar com tudo.
Mesmo assim, achar que é o trabalho mais importante que alguma vez fizemos.
É aprender a dar espaço quando só nos apetece apertar no nosso colo. É perceber, de repente, que já não controlas nada, já só observamos. E observar com o coração na boca é muito diferente de observar descansada. É o equilíbrio impossível entre estar atenta e não ser intrusiva, entre proteger e deixar cair, entre confiar e atribuir as responsabilidades que são dela.
É assistir, às vezes com uma angústia cá dentro, ao “desaparecimento” da tua criança. Aquela que te estava sempre a chamar, que queria dormir no teu quarto, que achava que tu eras o centro do mundo. E no lugar dela está a crescer um quase-adulto que por vezes nem sabes se está bem ou está mal. Sabes que é normal. Sabes que é suposto ser assim. E mesmo assim é tudo tão estranho.
Há também o quarto. O que era um espaço da casa tornou-se numa caverna. O bunker dela. A porta está sempre fechada, a música é sempre alta de mais ou baixa de mais, e quando a abrimos, nos raros momentos em que me apetece ver um cenário apocalíptico, encontro loiça. E objetos não identificados. E as minhas coisas… as minhas meias, o meu perfume, o meu carregador, enfim... está tudo ali, no bunker.
É tentar assimilar que já não sou o centro do universo dela. Que já não sou a preferida. Que o grupo de amigas sabe mais sobre o que ela sente do que nós, que a trouxemos ao mundo. E racionalmente percebo: é o desenvolvimento normal, é saudável. Mas nenhum livro de psicologia infantil me ensinou a sentir isto de forma suave. Custa…
E no meio de tudo isto desta montanha-russa que às vezes nem ela própria consegue explicar, há momentos que olhamos e sentimos um orgulho enorme. Momentos em que a contemplamos e vemos a pessoa em que se está a tornar. A forma como defende o que acredita. A sensibilidade que tem para os outros. Os valores que foram crescendo em silêncio, sem que nos tenhamos apercebido.
E percebemos que a educação está a dar frutos, mesmo quando parece que não ouviu nada. E saber que é a mim que ela recorre quando tudo está uma confusão, também me acalma o coração. Mas é uma dificuldade fazer o papel de espectadora, adulta da sala, quando nos apetece partir para ignorância e esmurrar os dentes daquele que lhe partiu o coração. Respirar e saber que faz parte do crescimento esta dores de amor. Eu era aquela a quem partiam o coração, e agora sou a mãe que sofre em silêncio com o sofrimento dela.
Ser mãe de uma adolescente é isto: viver com o coração fora do peito — mas agora percebo mesmo o que essa expressão significa. Não é metáfora, é literal. É ter a parte mais vulnerável de nós a circular pelo mundo com a mochila às costas e os auriculares postos, a fingir que não nos vê quando nos passa ao lado na rua com as amigas. E mesmo assim, amar com tudo.
Mesmo assim, achar que é o trabalho mais importante que alguma vez fizemos.



