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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ser mãe de uma adolescente: ninguém nos avisou que ia ser assim

 



Há uma fase da maternidade sobre a qual ninguém fala o suficiente. Fala-se do cansaço dos primeiros anos, das noites sem dormir, das fraldas e das febres. Fala-se da escola primária, dos dentes de leite que caem, dos primeiros passos e das primeiras palavras. Mas da adolescência? Da adolescência fala-se pouco. E quando se fala, fala-se da parte má, como se fosse apenas uma fase a sobreviver. Não é. É muito mais do que isso. E é, provavelmente, a fase mais exigente de ser mãe.
É aprender a dar espaço quando só nos apetece apertar no nosso colo. É perceber, de repente, que já não controlas nada, já só observamos. E observar com o coração na boca é muito diferente de observar descansada. É o equilíbrio impossível entre estar atenta e não ser intrusiva, entre proteger e deixar cair, entre confiar e atribuir as responsabilidades que são dela.
É assistir, às vezes com uma angústia cá dentro, ao “desaparecimento” da tua criança. Aquela que te estava sempre a chamar, que queria dormir no teu quarto, que achava que tu eras o centro do mundo. E no lugar dela está a crescer um quase-adulto que por vezes nem sabes se está bem ou está mal. Sabes que é normal. Sabes que é suposto ser assim. E mesmo assim é tudo tão estranho.
Há também o quarto. O que era um espaço da casa tornou-se numa caverna. O bunker dela. A porta está sempre fechada, a música é sempre alta de mais ou baixa de mais, e quando a abrimos, nos raros momentos em que me apetece ver um cenário apocalíptico, encontro loiça. E objetos não identificados. E as minhas coisas… as minhas meias, o meu perfume, o meu carregador, enfim... está tudo ali, no bunker.
É tentar assimilar que já não sou o centro do universo dela. Que já não sou a preferida. Que o grupo de amigas sabe mais sobre o que ela sente do que nós, que a trouxemos ao mundo. E racionalmente percebo: é o desenvolvimento normal, é saudável. Mas nenhum livro de psicologia infantil me ensinou a sentir isto de forma suave. Custa…
E no meio de tudo isto desta montanha-russa que às vezes nem ela própria consegue explicar, há momentos que olhamos e sentimos um orgulho enorme. Momentos em que a contemplamos e vemos a pessoa em que se está a tornar. A forma como defende o que acredita. A sensibilidade que tem para os outros. Os valores que foram crescendo em silêncio, sem que nos tenhamos apercebido.
E percebemos que a educação está a dar frutos, mesmo quando parece que não ouviu nada. E saber que é a mim que ela recorre quando tudo está uma confusão, também me acalma o coração. Mas é uma dificuldade fazer o papel de espectadora, adulta da sala, quando nos apetece partir para ignorância e esmurrar os dentes daquele que lhe partiu o coração. Respirar e saber que faz parte do crescimento esta dores de amor. Eu era aquela a quem partiam o coração, e agora sou a mãe que sofre em silêncio com o sofrimento dela.
Ser mãe de uma adolescente é isto: viver com o coração fora do peito — mas agora percebo mesmo o que essa expressão significa. Não é metáfora, é literal. É ter a parte mais vulnerável de nós a circular pelo mundo com a mochila às costas e os auriculares postos, a fingir que não nos vê quando nos passa ao lado na rua com as amigas. E mesmo assim, amar com tudo.
Mesmo assim, achar que é o trabalho mais importante que alguma vez fizemos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Da Adolescência


Corriam os anos 90 e esta que vos escreve tinha uma paixoneta pela marca Diesel. 
Não tinha roupa desta marca nem sequer sabia que haviam sapatos ou sandálias com esta designação (aliás, nos anos 90 nem sabia que havia mundo, quanto mais). Eu era mais saltar à corda, ao famoso "elástico" ou "elhástico" como por cá vulgarmente se dizia carinhosamente.

Como qualquer adolescente que se prezava eu também gostava de ver uma ou outra marca que as miúdas mais "in" vestiam e desfilavam pelos corredores do liceu. Felizmente cresci e a idade chegou para elucidar a mente.
Adiante! 
A Diesel sempre foi daquelas marcas de eleição, não sei se pelo logótipo irreverente ou pelo inatingível da coisa. 
A minha amiga da altura tinha uns jeans e umas sandálias. A loucura! 
Eu fiquei-me por um estojo de lápis com aquele logo. Não me lembro sequer quem o comprou mas sei que ainda está em casa dos meus pais.  
Tratava aquela lata com um carinho como se fosse dona de um "tamagotchi". Coisas completamente parvas mas adequadas ao tempo em que foram vividas pela “minha pessoa”. 

Hoje em dia não acho a mínima piada aos produtos da marca, tirando uma ou outra coisita, em geral perdeu todo o encanto. Adolescência sem dúvida é uma verdadeira Amazónia tropical na vida de um indivíduo.