Há professores que ficam. Não pela matéria que ensinaram, mas pela forma como nos fizeram sentir capazes. Pela paciência que tiveram num dia em que nós não a merecíamos. Pelo entusiasmo que punham naquilo que faziam e que, sem darmos conta, nos contagiava.
Dei por mim a pensar nisso: o problema não é apenas haver bons professores; é deixarmos de os tornar a regra. E, ao pensar nisso, passei a pensar no que acontece quando eles começam a escassear.
Quando se desinveste numa carreira, ela deixa de atrair quem devia atrair. A docência não é excepção — talvez seja o exemplo mais gritante. Salários que não compensam, progressão que não existe, reconhecimento que brilha pela ausência. E depois admiramo-nos por que cada vez é mais difícil preencher vagas... que se abram portas a profissionais sem formação pedagógica de base.
Não estou a dizer que um engenheiro ou um economista não pode ser um bom professor. Alguns conseguem lá chegar, com esforço e talento natural para comunicar. Mas conseguir chegar lá não é o mesmo que ter as ferramentas desde o início. E enquanto chegam, quem paga o preço são os alunos.
E isto não é uma discussão de público vs. privado. Quando se desinveste numa classe inteira, toda a gente perde. O problema não fica do lado de lá do muro da escola particular.
O que me preocupa mesmo é o padrão. Educação e saúde são sempre as primeiras a absorver os cortes e as últimas a receber atenção real. E quando vejo isso acontecer repetidamente, não consigo deixar de pensar que estamos a construir um futuro muito negro — e a fazê-lo de propósito, por omissão, que é a pior forma de o fazer.
Os maiores perdedores? Os alunos. Sempre.


