quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Este país não é para velhos... nem para novos...

 


A vida de cuidador de idosos, é o trabalho mais desgastante e não reconhecido de sempre. A vida divide-se entre uma vida avassaladora que nos engole, que corre à velocidade do vento de uma tempestade. A nossa vida não pára, os filhos continuam a crescer, as contas continuam a cair e esperam que o rendimento laboral seja competitivo, e do outro lado temos um ou dois idosos para cuidar a tempo inteiro. Como se consegue fazer “pause” na vida e virar cuidador? Num país em que os apoios à velhice, encontram-se no papel porque no terreno simplesmente, não há respostas. Sem vagas, sem disponibilidade. É a resposta mais ouvida quando pedimos ajuda.

E entre equilibrar a vida, dividimos as tarefas por quem se disponibiliza de cuidar de quem cuidou de nós. Mas nunca é equilibrado… a divisão nunca é justa e equilibrada.

E aqui entra a responsabilidade moral de cada um, que nunca é igual para todos, mesmo que não tivesse havido descuido de tratamento quando crescemos. E exatamente porque a vida não é preto e branco, e porque acredito mesmo que a vida é um dar e receber, não podemos esperar receber quando também não demos nada de volta. E dar, claramente não me refiro a nada material, mas sim, à atenção, ao carinho e à presença. Porque laços de sangue não chegam: o que faz uma família é o que nela se oferece todos os dias, e só pode esperar receber quem também se dá. Nestas questões existem muitas variantes a ser consideradas, mas quando vemos um aproveitamento de uns em detrimento dos outros, é imoral. E na minha geração ainda é muito visível essa alegada obrigação moral das filhas e a total ausência dos filhos. Uma completa desresponsabilização baseada somente numa simples variável, ser Homem. Como se aqueles pais, algum dia baseassem os seus cuidados aos filhos mediante o sexo feminino ou masculino. Mas até aqui, consigo pensar que a educação dada aos filhos, também é muitas vezes determinante por este comportamento de total desresponsabilização do sexo masculino.

E quando se parte da mesma base? E a retribuição é singular? Não compreendo como se consegue viver assim, absorvido somente sob o seu próprio umbigo. Fazer de conta que tudo é como quando tudo estava bem, porque de facto, quando tudo está bem, todos aparecem com um sorriso na cara. É uma questão de consciência de cada um, eu sei! Mas neste comboio, de livre arbítrio, uns são filhos e outros enteados.

Este país não é para velhos, e também não é para novos. É um país que não investe nem na geração futura, nem ampara a geração que trabalhou uma vida inteira. Este país é para os espertos, para quem sabe viver a sua vida, mesmo que seja à custa da exploração do outro.