Tenho idade suficiente para saber que ninguém dá nada a ninguém. Mesmo. Ninguém. A vida ensinou-me isso com paciência ao longo de décadas, e eu aprendi a lição. Aprendi bem.
Ou assim pensava eu.
Porque quando apareceu ali, sedutora, a oferta de uma sessão de estética grátis — completamente grátis, sem compromisso, só para experimentar — o meu cérebro de pessoa adulta e experiente fez o seguinte raciocínio profundamente sofisticado: "Hmmmm. Grátis. Quero."
Pronto. Foi assim.
Precisava das sessões, isso é verdade — não vou aqui fingir que me arrastaram. Precisava mesmo. E lá fui eu, muito senhora de mim, convencida que ia experimentar, gostar ou não gostar, e seguir a minha vida.
Saí de lá com um pack de quatro sessões comprado.
Mas espera — a parte boa vem já a seguir. A sessão "grátis" que me tinha levado até lá? Levou-me a comprar um pack. Eu sei que a culpa é minha mas ainda assim, é uma boa maneira de levar as pessoas a comprar sessões.
Não há almoços grátis. Nunca houve. Nunca haverá. Quando a esmola é demais, o santo desconfia — e eu, que conheço este ditado desde que nasci, entrei pela porta da frente com os dois olhos fechados e a carteira aberta.
A culpa é minha? Em parte, sim. Precisava das sessões e sabia-o. Mas é daquelas situações que temos de pensar rápido e nem sempre isso acontece.
Fica o aviso, que é de graça:
Quando alguma coisa é grátis, pergunta sempre o que é que vem a seguir. Porque o almoço pode ser de oferta, mas o jantar vai sair caro.




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