quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Portugal: spa gratuito de humidade permanente

 


Nos últimos dias tenho a ligeira sensação de que alguém deixou a torneira do céu aberta… e perdeu a chave. Chuva, vento, mais chuva, rajadas, mais vento, e pelo meio depressões atmosféricas com nomes próprios, como se fossem visitas que chegam, se instalam e não dão sinais de ir embora.

Tenho quase a certeza de que o anticiclone dos Açores decidiu tirar férias. E não foram férias discretas — nada disso. Foi para sul, provavelmente de chinelos e mojito na mão, e deixou-nos completamente desprotegidos. A minha pergunta é simples: quem autorizou estas férias?? Não houve reunião? Não houve aviso prévio? Isto não se faz.

Eu só queria… sol. Não peço muito. Um bocadinho de luz, uma nesga de céu azul, um momento em que possamos sair à rua sem parecer que estamos numa prova de obstáculos meteorológica.

Neste momento, secar roupa tornou-se um conceito teórico. A roupa vai da máquina para o estendal e do estendal volta para a máquina, num ciclo infinito digno de estudo científico. A casa? Um spa de humidade permanente. As paredes respiram água, as janelas choram condensação e eu começo a considerar seriamente cultivar arroz na sala.

Mas, no meio das minhas queixas meteorológicas e da falta crónica de vitamina D, é impossível não pensar em quem passou por algo muito mais sério. O meu pensamento está com as pessoas que perderam quase tudo no centro do país e arredores. Não consigo imaginar o que terá sido viver aquela noite da tempestade Kristin — o medo, a incerteza, a sensação de impotência perante a força da natureza.

Que o sol volte depressa, sim — por nós, pela roupa que quer secar, pelas casas que querem respirar. Mas, sobretudo, que volte também alguma tranquilidade para quem precisa de recomeçar. 🌤️

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